Mulher do fim mundo e a música militante da cantora do milênio

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Mulher do fim mundo e a música militante da cantora do milênio

Brasileira, favelada, mulher, negra, vinda do “país da fome”, como ela mesmo disse na extinta rádio Tupi. É assim que podemos caracterizar aquela que é considerada a voz do milênio, pela BBC. Aos 60 anos de carreira e 78 de idade, Elza Soares entrega um dos mais potentes álbuns de sua carreira.

Com 11 faixas inéditas, o CD rivalizou entre os melhores álbuns do mundo com cantoras como Beyoncé. Elza encarna a personagem do álbum, que apesar de todas as “porradas” da vida, sempre teve coragem para levantar sua voz e insurgir contra desigualdades e preconceito. “Mulher do fim do mundo, eu sou – e vou – cantar até o fim”, como enuncia a canção que dá nome ao albúm.

Desde a primeira faixa, onde traz a versão musical de “coração do mar”, poema de Oswald Andrade, o disco é um grito vivo contra o quão navio negreiro ainda é o Brasil.

Maria de vila Matilde e o apelo a denúncia

Tema ainda e infelizmente atual, a violência contra a mulher ainda é tema do álbum de Elza. A música Maria de vila Matilde enuncia uma mulher mais empoderada que nunca. Que desafia seu agressor e sentencia: “Cê vai se arrepender de levantar a mão pra mim”.

Representatividade de todas as mulheres, o single “Benedita” relata a vida de uma travesti traficante, que leva seu cartucho na teta e nos dentes a navalha. Sendo considerada uma das faixas mais agressivas do disco.

O albúm é forte e não poderia ser diferente. Quando se trata de Elza Soares o que se ver é uma mulher forte e empoderada em todos os sentidos. A idade e os problemas de coluna que a obrigam a se apresentar sentada, não borram a força da voz metálica, ou da feição felina, que se intensifica com a maquiagem carregada e o cabelo afro.

A imagem é retrato de uma brasileira empoderada, que nasceu em uma favela do Rio de Janeiro e aos 13 anos já era mãe. Que nos anos 60 foi crucificada pela mídia por seu namoro com o jogador Garrincha. Sendo pintado como a meretriz que roubou o marido de uma “mulher direita”. Elza é a mulher que não tem medo de dar o tapa que a sociedade precisa e lançar músicas como “A carne” e CDs como “Do cóccix até o pescoço”.

Sinta e se inspire com a mais nova pancada de Elza.